terça-feira, 13 de setembro de 2011

Mini-Conto


A escola da vida



-Professor, tenho uma dúvida! Posso enviá-la via e-mail?
-Se quiser. Amanhã continuaremos a refletir sobre o inconsciente coletivo.  Podem sair.
Através do outro, reconheço-me e evoluo. – Redijo no final deste trabalho de psicologia...Estarei na área correta?
-Só o tempo o dirá, Sofia. – Retorquiu o Rui.
- Auto e hetero-psicanálise familiar também conta para o currículo ? A relação mãe-filha, sobretudo. Depois deste trabalho, descobri como um pai pode danificar um filho!
-Até amanhã, Rui!- Fecho a porta do carro e suspiro. Rodo a chave na ignição e penso como estes trabalhos efetuados em psicologia tornam-me eficiente nas sucessivas auto-análises. Em consequência, diagnostico-me o princípio de uma depressão.
Demasiado trabalho, por certo. Percebi mais:  como me mutilo emocionalmente. Apaziguo e abuso-me através da comida. Claro, tenho impulsos recorrentes de procura inconsciente da normalidade. Estou sempre a recriar-me mecanicamente sem saber, como me encontrar feliz de novo...
Restam os esforços conscientes de me amar e satisfazer. Amar e entregar-me ao próximo não é difícil. Confiar que eu mereça amor e dar-mo é a ação mais custosa porque os exemplos exteriores não são os necessários. Falta de input adequado.
Nada mau...será que consigo fazer igual a doente, no consultório!?

domingo, 4 de setembro de 2011

Conto com cem palavras


Porto Adentro





- Cama ?  Na enfermaria ... Como vim aqui parar?
– A menina sentiu-se mal. - Respondeu-me a enfermeira.
Aqui não há nada. Preciso da minha prisão para me sentir viva. Como queria sentir a pressa do quotidiano. Essa loucura parecia-me saudável. Mas não: já percebi o conteúdo da linguagem médica empregue quando me anunciaram, mas não a quero proferir. Não no meu mundo.
-Bem, se é para ir, quero ir já. Agora. Dr.! Sra. Enfermeira!
-Brr..., brr...Atendo o telefonema da Sara. A polícia procura o corpo de minha mãe...bem, parece que a minha morte vai ter de esperar.