Cavo e trabalho diariamente pensamentos. Num arrogante ato de auto-análise.
Ando a praticar...os avanços são notórios mas ainda há muito trigo a separar do jóio.
A principal dificuldade é travar a impulsividade. É trabalhar o que me sai, jorrando sincera e cruamente da boca. É afastar esse rio bravo que por mim flue sem mestre.
Leio e penso. Critico e analiso. Avanço lenta e seguramente.
Gostaria de ser mais e melhor.
E agora, que me entrego ao simples ato de virar-me para trás, vejo que tenho conseguido superar-me. Repetidamente. Em todos os campos e àreas.
O tempo pesa-me e, tenho vontade de abrandar o ritmo, os campos e as áreas trabalhadas. Mas não posso...é da multiplicidade que vivo e me avança, criativa, sentimental, difusa.
Nota para mim mesma:
Não pares nunca de cavar. Escavar até, se preciso fôr. Mas parar: só quando não houver em mim vida.
"Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo."- Clarice Lispector
quinta-feira, 7 de julho de 2011
A vida, felizmente, continua...
Por certo que muitos partilharão o mesmo sentimento que eu.
É uma sensação estranha, arredada deste mundo e, por isso, calada. Eu não me atrevo a verbalizá-la. Loucura?
De há alguns anos a esta parte, vejo que vivencio experiências num mundo que não é o meu. Não me identifico...
Estou aqui, sim, lúcida, ainda, mas sinto que este não é o local onde chorei pela primeira vez.
Este mundo é diferente. É-me, sobretudo, estranho.
Estranho atitudes, comportamentos humanos mas o que mais me impressiona é a mudança física do meu país, do globo. Que tempo é este? Que temperaturas, ventos, nuvens se me apresentam?
Sonhei com o Verão este ano, mais do que TODOS os outros. Agonizei diariamente, por vezes. Ei-lo!
Quero o meu mundo de volta. Com tudo a que eu tive direito, quando nasci.
Quero a minha família de volta. Os que já partiram e os que cá estão mas, que, a bem da verdade já não existem.
Quero o meu ordenado de volta. O meu subsídio de Natal. Quero o meu Verão!
Passagens bíblicas ocorrem-me nestes momentos...e sei que já não me identifico aqui há alguns anos. Espero pacientemente outro mundo, outros tempos, modos de ser e de estar onde eu sei que tudo me será devolvido. Entretanto... a esta vida, continua!
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