Para um concurso...
Não sei a que sabe a tua pele. A que deste a ela e me
ofereces a mim. Já te vi suar e batizar com água o líquido do teu corpo. A
carne sacrificada brilha com a doçura do teu ser.
Olho-te e sei. Ouço-te
falar, embalada pelos teus movimentos e, cá dentro, o universo comunica. Corais
de luz, espelham a tua alma.
A caneta pertence-me mas a escrita não é minha...é a
oferta distante de te saber próximo.
Num
bater de coração, canto o sentimento ditado pelo teu corpo: historial humano
esculpido com e pelo amor. Apesar da minha canção, a tua tem contornos
especiais: é do pó que nasce, é da sujidade que se erga, purificada pela voz do
sábio paciente. E entrego-me.
Ó Estrela-guia, conduz-me pelo caminho de forma serena
e humilde. Só o som da tua mão e a sombra do teu ser...me abençoam a caminhada.
A
estrada é pavimentada de dor e agruras chorantes que patenteiam os meus dias,
qual mosaicos dolorosos, ferem-me o ser. No entanto, beijas-me e tudo fica bem
porque tudo está bem.