domingo, 9 de fevereiro de 2014

UM OLHAR


Olhei-te nos olhos e baixaste a cabeça. Segui-te sem pensar e mergulhei no profundo caudal de neblina estonteante. O meu cérebro não processa informação da mesma forma após este choque visual. É magnético, lembro-me de ter pensado. Aquele não é bonito...não é atraente, sequer. Eu nem gosto de pêlos faciais.  Pêra !? Quem é que no século XXI se pavoneava de pêra !? Que ridículo!
Porque razão os meus olhos o procuram e o meu corpo o acompanha? Ele foge e eu quedo-me a processar a neblina que acabou de me perpassar o corpo mas, sobretudo, a alma. Bolas, o que acabou de me suceder?
Carla, é o meu nome de batismo.
Considero-me uma mulher inteligente e tenho tendência para explicar os fatos, os acontecimentos e reagir-lhes de forma emocionalmente deliberada. Emotiva mas racional. Carinhosa sem me sentir abusada, seja de que forma for. Aqui sinto-me manipulada para além do compreensível. Ajo de forma sensorial. Demasiado, até.  Vejo e quero ver mais. Ouço, gosto e quero ouvir mais. Até à exaustão. Este pensamento sempre presente persegue-me e eu, como compensação, devo fazer alguma descarga fisiológica mental e inconsciente. Perdi a vontade de comer. Ou melhor, sinto fome mas não possuo qualquer vontade de sucumbir a esse desejo físico.  Emotivo? Talvez.
Como reagir a isto ? Os amigos dizem-me que as coisas acontecem por uma razão. E eu começo a duvidar disto. Como é possível?!
Deito e acordo-me com aquela imagem dele e, pior, com o som da sua voz emotiva e ondulante que me deixa perturbada. Já sei, explico-me: é tão raro ver um homem completo, sereno e emotivo. Que pensamento perturbante!

Haverá, por certo, homens intensamente emotivos por este pequeno mundo adentro. Será que os há mesmo?

Sem comentários:

Enviar um comentário